Riqueza Natural

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

Irmão de morta nos EUA diz que ela já foi mantida em cárcere privado por ex






O irmão de Alessandra de Moraes Emiliano, brasileira morta a tiros em Schererville, nos Estados Unidos, disse ao G1 na noite de segunda-feira (4) que o ex-marido dela, Richard Kalecki Jr.,

 apontado como principal suspeito do crime, manteve a mulher por diversas vezes em cárcere privado, durante os seis anos em que foram casados.

Nascida em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, ela foi morta na noite de sábado (2), dentro da loja onde trabalhava, perto de Chicago, no estado de Indiana.Ela já havia comentado que ele era meio atordoado e a família dele lá já estava preocupada porque ele surtava. 

Minha irmã sofreu maus-tratos e se separou dele. Por exemplo, ele mantinha ela em cárcere privado. O dinheiro que ela recebia, tinha que dar na mão dele. 

Se não fizesse isso, ele a deixava trancada do lado de fora quando nevava", disse Adamor Emiliano.
Ele judiou muito, por isso ela pediu divórcio. 

Minha irmã chegou a ficar em albergue durante um tempo, mudava de endereço para que ele não a encontrasse", afirmou.
O irmão se mostrou insatisfeito com as autoridades norte-americanas. Segundo ele, a morte de Alessandra poderia ter sido evitada. 

"Depois que ela prestou queixa, a polícia não deu assistência. Ele devia ficar longe, que nem a [Lei] Maria da Penha aqui do Brasil”, disse.

Suspeito teria se matado

O ex-marido, Richard Kalecki Jr., de 49 anos, foi encontrado morto no domingo (3) dentro de um cemitério na cidade de Calumet. De acordo com o "Chicago Tribune", a polícia trabalha com a hipótese de suicídio

Abuso sexual infantil

Alessandra conheceu o ex-marido no Brasil e morava desde março de 2006 nos Estados Unidos. Segundo Adamor, Richard tinha três acusações por abuso sexual infantil. O irmão da brasileira acredita que o divórcio, que aconteceu em 2012, pode ser uma das causas do crime.
“Não sei se era por estar separado que ele foi atrás dela para matar. Ele chegou a pedir para voltar e ela não quis. Por ela ter pedido divórcio e ido à polícia prestar queixa contra ele, as acusações de abuso, que estavam meio esquecidas, vieram à tona. 

A polícia acabou revendo a ficha dele. Ele ia ser julgado em março para ser condenado”, contou o irmão.
Campanha
Parentes e amigos de Alessandra, que possui cidadania americana, fazem uma campanha online para arrecadar dinheiro e enviar o corpo à sua família no Brasil. "Precisamos de ajuda financeira para trazer o corpo de Alessandra para o Brasil. 

Nos ajude! Qualquer ajuda será bem-vinda!", diz um post no Facebook, acompanhado de uma conta de banco.
Segundo Adamor Emiliano, a fluminense de 37 anos tinha uma filha de 18 e estava em um novo relacionamento.

Ela conheceu outra pessoa há pouco tempo, ele também é americano. Parecia ser uma excelente pessoa, veio ao Brasil uma vez e tem ajudado muito minha sobrinha, que não tem nenhum parente por lá, só está contando com a ajuda de amigos. 

Minha sobrinha pretende voltar ao Brasil, mas quer completar a faculdade de medicina que prometeu para a mãe."
Investigações

Em comunicado divulgado pelo jornal "Chicago Tribune", a polícia classifica o caso como homicídio por violência doméstica. 

"A morte de Kalecki coloca fim ao homicídio trágico de violência doméstica de (Alessandra) de Moraes Emiliano. Trabalhamos muito de perto com toda a sua família e eles têm nossos sentimentos mais profundos", diz o chefe da polícia de Schererville, David Dowling, na nota.

O "Chicago Tribune" cita arquivos da corte do condado de Lake que indicam que em 2012 Kalecki recebeu acusações de abuso sexual infantil. O casal teria se separado seis meses depois das acusações, de acordo com a publicação.

O Itamaraty confirmou a morte de uma brasileira no estado de Indiana e diz que a embaixada em Chicago está acompanhando as investigações e prestando assistência à família.

No entanto, segundo o irmão da vítima, os familiares procuraram o Itamaraty e o consulado, mas não receberam retorno. “Eles disseram que iam ajudar, mas não fizeram nada”, disse



Alessandra foi morta a tiros nos Estados Unidos (Foto: Reprodução/Facebook



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