Riqueza Natural

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Brasileiro a ser executado no exterior neste sábado




Marco Archer Cardoso Moreira na prisão na Indonésia (Foto: Reprodução/TV Globorco Archer Cardoso Moreira, o brasileiro condenado à morte na Indonésia por tentar entrar com drogas no país, quer se tornar um exemplo para os jovens brasileiros que pensarem em fazer a mesma coisa que ele, contou um amigo seu ao
Produtor de filmes como "Tropa de elite" e sócio do diretor José Padilha, Marcos Prado diz que Archer era seu “amigo de praia” no Rio de Janeiro. Em 2012, após muito tempo sem contato, o preso o procurou pedindo que fizesse um documentário sobre sua história. 

“Ele não quer ser lembrado só por ser o primeiro brasileiro a ser executado no exterior. Tinha o desejo de dar exemplo para jovens brasileiros que quisessem cometer a mesma irresponsabilidade dele, de levar drogas para fora do país”, diz.
O cineasta conversou com Archer por telefone há dois dias, quando ele já sabia que seu último pedido de clemência havia sido negado, mas ainda não havia sido divulgado que a execução estava marcada para este fim de semana. O jornal australiano “The Sydney Morning Herald” havia divulgado que sua execução será no próximo sábado (horário local). No entanto, mais tarde os jornais da Indonésia divulgaram que será no domingo (também pelo horário local).
                                                            O cineasta Marcos Prado
                                        (Foto: Reprodução/Facebook/Marcos Prado)
Marcos diz que o amigo estava assustado porque, apesar de estar preso no país desde 2004, achava que não seria executado. “Ele sempre teve esperança, acreditava que alguma coisa positiva iria acontecer. Ele nem conseguiu dormir direito. Sabe que cometeu erro grave, mas acredita que merece uma segunda chance. Ele não esperava”, contou.
O cineasta diz que esperava que Archer saísse da prisão na Indonésia para poder entrevistá-lo. “Estava confiante, esperando que ele fosse solto. Queria contar uma história de volta por cima, de superação.”
Mas afirma também que acredita numa reviravolta. “Acredito que milagres podem acontecer, que o presidente da Indonésia pode ceder de última hora”, diz.
Ele descreve o amigo como alguém “otimista, irreverente e alegre”. “Está sempre fazendo piada, gosta de natureza. É um cara do bem.”
Amigos de Archer estão se mobilizando na internet, enviando mensagens para o governo brasileiro, para o perfil do presidente da Indonésia no Facebook e para a Embaixada do país no Brasil.
Últimos pedidosSegundo o jornal local "Jakarta Post", o Procurador Geral da Indonésia M. Prasetyo afirmou, em entrevista coletiva de imprensa nesta quinta-feira (15), que vai executar Archer e mais cinco acusados de tráfico de drogas neste fim de semana.
                                                        Marco é descrito por amigos como alegre e
                                       otimista (Foto: Reprodução/TV Globo)

Ele afirmou que já foram preparados “o esquadrão de tiro, um clérigo e médicos”, e que as execuções ocorrerão simultaneamente, ainda segundo o jornal.
Prasetyo explicou, também, que os condenados são avisados da execução com três dias de antecedência para que possam se preparar mentalmente e para que façam seus últimos pedidos.
Governo brasileiro
Caso a pena de morte seja cumprida neste sábado, Moreira será o primeiro estrangeiro a ser executado na Indonésia em 2015.
O Itamaraty informou apenas que continua mobilizado e acompanha o caso, avaliando “todas as possibilidades de ação ainda abertas”. O governo brasileiro afirmou que não dará detalhes sobre as decisões tomadas.
A organização Anistia Internacional informou que, por ser "contra a pena de morte em qualquer circunstância", repudia "veementemente a decisão do governo indonésio em executar Marco Archer". A organização disse que lançou uma ação para que todas as suas seções pressionem o governo Indonésio a não levar adiante as execuções.
Instrutor de voo, Marco Archer foi preso em 2004 ao tentar entrar na Indonésia com 13 quilos de cocaína escondidos nos tubos de uma asa delta. A droga foi descoberta pelo raio-x, no Aeroporto Internacional de Jacarta. O brasileiro conseguiu fugir do aeroporto, mas foi preso duas semanas depois.
Além de Marco Archer, o paranaense Rodrigo Muxfeldt Gularte também está detido no arquipélago do sudeste asiático por tráfico de cocaína e aguarda no corredor da morte.

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