Riqueza Natural

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Acusado de assassinar namorada Dentista não poderia portar arma de fogo.







Acusado de assassinar com quatro tiros a namorada e dentista Fabíola da Cunha Peixoto, de 24 anos, no dia 27 de abril deste ano, dentro de casa, em Olaria, na Zona Norte do Rio, o cabo PM Leandro Pinto de Carvalho não podia andar armado. Um relatório pericial da Seção de Perícia Médicas da Polícia Militar, datado de 15 de janeiro de 2014, ao qual o EXTRA teve acesso, concedeu ao cabo licença temporária por surto psicótico, e esclarecia que até o dia 30 de abril Leandro não poderia portar arma de fogo.






Apesar do laudo, a PM não apreendeu no período em que a licença estava em vigor todas armas do cabo. Uma delas, uma pistola, foi usada no assassinato da dentista. Dez dias depois do crime, a psiquiatria da corporação concedeu um benefício para Leandro. Um laudo recomendou que o militar fosse transferido (ele estava preso em uma cela do Batalhão de Choque) para uma unidade prisional hospitalar. Segundo o documento obtido pelo EXTRA, datado de 7 de maio e assinado pela chefe de psiquiatria da PM, a tenente-coronel médica Ana Cláudia P. de Vasconcellos, o cabo necessitava de adequação de seu tratamento psiquiátrico em um ambiente protegido.



Para o aposentado Marcos Carvalho peixoto, de 64, pai de Fabíola, o assassino de sua filha não tem problemas psiquiátricos.
— Ele é normal, não é doente psiquiátrico. O que ele faz é teatro. Fui em uma audiência do caso, no Tribunal de Justiça, e ele ficou sacudindo a cabeça o tempo todo para dar uma de maluco. Quero que ele fique na prisão — disse o aposentado.



Marcos Carvalho e a mulher, a dona de casa Vera Lúcia Santos da Cunha, de 56, tatuaram nos braços, o nome de Fabíola. Mais do que jamais esquecer a filha, o casal quer fazer um apelo para que a Po
lícia Militar expulse o cabo da corporação. O aposentado disse que encaminhará para PM, por escrito, um documento pedindo a exclusão do cabo. A previsão é a de que até o fim do mês, o Conselho de Disciplina da PM conclua a sindicância, que decidirá se o policial perderá ou não o direito de usar a farda.




Além disto, o homicídio que o cabo é acusado deverá ser julgado no III Tribunal do Júri, no Fórum do Rio, em data que ainda não foi marcada.
— Quero fazer uma espécie de clamor à Justiça para a Polícia Militar pelo assassinato da minha filha. Vou encaminhar o documento a PM e gostaria até de ser ouvido na sindicância. O que espero de imediato é a exclusão da corporação do homem que matou minha filha covardemente. Também vou acompanhar o caso, até o fim, na Justiça comum — disse Marcos Carvalho, visivelmente emocionado.




Procurada pelo EXTRA, a Polícia Militar confirmou que a sindicância que decidirá se o cabo será ou não expulso, tem previsão de término para o fim deste mês. No entanto, segundo a PM, ainda há a possibilidade da investigação ser prorrogada, caso haja necessidade. Sobre a transferência de Leandro para um hospital psiquiátrico, a PM informou que isto só acontecerá se houver uma ordem da Vara de Execuções Penais. A PM informou ainda que uma arma registrada em nome do cabo já foi apreendida. No entanto, a PM não informou      data exata da apreensão.



— Ele (Leandro) era muito ciumento. Minha filha só voltou para ele da última vez porque ela ia todo dia no trabalho dela pressioná-la. Minha filha já não era a mesma. Estava infeliz e tinha medo dele. Era sempre ameaçada. No sábado, na véspera do crime, ela procurou a mãe e disse que precisar conversar com a gente. Marcou de conversar conosco no domingo. Só que o domingo não chegou para ela. Minha filha foi morta na madrugada — disse o aposentado.
Na época do crime, policiais da Divisão de Homicídios apreenderam, na casa do PM, R$ 63,4 mil em dinheiro, um cheque de R$200 mil e quatro braceletes de ouro, cada um com valor estimado em torno de R$ 10 mil. Para o pai da dentista, a apreensão é um sinal que Leandro Pinto de Carvalho tinha outras atividades fora da polícia



Uma vez ele me mostrou o porta-malas do carro dele. Havia lá um rifle e outras duas armas e uma bolsa com R$ 450 mil. Ele guardou tudo e não explicou de onde vinha aquele dinheiro todo — disse o aposentado.
Segundo a polícia, o PM tem um histórico de agressões contra mulheres. Em 2011, pelo menos duas procuraram a 22ª DP (Penha) para registrar queixa contra o policial. Uma delas, uma ex-namorada, contou na delegacia ter sido agredida com puxões de cabelo dentro de um pagode. Na mesma ocasião, uma amiga, que a acompanhava, foi esbofeteada pelo PM. Em 2007, outra mulher já havia procurado a mesma delegacia para acusar o PM de ter desferido um tapa em seu rosto, dentro do Olaria Atlético Clube.


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