Riqueza Natural

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Muito apegados diz filha de casal que morreu com minutos de diferença



  Italvino e Diva estavam de mãos dadas no hospital na última sexta-feira (3).
Corpos foram sepultados juntos em Alvorada, Região Metropolitana.

 O casal de idosos que morreu com cerca de 40 minutos de diferença na última sexta-feira (9) em Porto Alegre teve um velório conjunto e os corpos sepultados lado a lado em um jazigo em Alvorada, na Região Metropolitana. Nem mesmo a morte separou Italvino Possa, de 89 anos, e Diva Alves de Oliveira Possa, de 80, cuja união durou mais de seis décadas.

 

 

 Eles eram muito apegados. Não imaginavam a vida um sem o outro. Acho que não tinha como ser diferente”, comenta a técnica judiciária Veramar Oliveira Possas, 52 anos, uma das dez filhas que compõem a prole do casal, que deixou ainda 14 netos e seis bisnetos.

Os corpos foram sepultados juntos no Cemitério Municipal de Alvorada, com os corpos de outros familiares. Ele foi vítima de uma leucemia. Ela não resistiu a um tumor na bexiga. O casal passou os últimos momentos de vida de mãos dadas, com as camas posicionadas lado a lado no quarto, no Hospital São Lucas da PUCRS, em Porto Alegre.

A história começou na cidade de Marau, no Norte, em um baile no interior. A união do casal é um exemplo e motivo de orgulho para a família Oliveira Possa. "Isso é muito raro hoje em dia. Por isso a gente se surpreende. Sem contar a morte como foi, mas um casamento, assim, durar tanto tempo já é raro. A gente vê casais velhos se separando", pondera a filha.

Em agosto do ano passado, Italvino descobriu a doença. Desde então, entre internações e altas, batalhava para permanecer ao lado da amada. "O caso dele se agravou várias vezes. Em muitas o médico nos dizia que era fatal. Tentávamos preparar ela para o pior, mas ela se preocupava muito. 

Nós, filhos, não imaginávamos como seria a vida dela sem ele. Um vivia em função do outro", analisa.
No entanto, em abril deste ano, Diva recebeu o diagnóstico de câncer na bexiga. No mesmo período, foi submetida a uma cirurgia e deu início a um tratamento. A enfermidade, porém, a tomou depressa. Por quatro meses, passou hospitalizada. Talvez o período de tempo mais longo que ficou longe do marido. "Em função da doença dela, ele também se agravou. 


Ele nunca tinha ficado tanto tempo em casa sozinho. Comecei a senti-lo mais frágil", conta a filha.
Em 14 de maio, a família preparou uma pequena cerimônia particular para festejar os 65 anos de casamento. Em casa, devido às já debilitadas condições de saúde de ambos, o cardápio servido foi pizza caseira. "Alguns dias antes eu tinha marcado com alguns sobrinhos de ir em um restaurante. Mas diante do quadro de saúde eles, mudamos os planos. Foi uma comemoração mais família", lembra.
Seu Italvino retornou ao hospital na manhã da última sexta-feira (3), após passar mal. "

A enfermeira junto as camas dos dois, no mesmo quarto. Eu uni as mãozinhas deles. Aquela cena me tocou muito. Acho que sabia que era a última vez que eu estava vendo eles juntos. Pedi que meu filho fotografasse. Ele estava agonizando, ela estava entubada. E morreram juntos. Após uma vida em comum", recorda a mulher, ainda emocionada. Eis que chegou a hora. Ele partiu por volta das 15h do mesmo dia. Diva não demorou a acompanhá-lo: se foi 40 minutos depois.
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