Riqueza Natural

quinta-feira, 18 de julho de 2013

A biblioteca de Alexandria que foi destruída vai ser construida novamente!



 




Destruição da Grande Biblioteca de Alexandria
A Biblioteca de Sarajevo depois do bombardeamento de que foi alvo em 1992
A destruição da biblioteca de Alexandria é um acontecimento de consequências incalculáveis. Sepultando para sempre a esmagadora maioria das obras da Antiguidade clássica (por exemplo, das 800 peças de comédia grega apenas restam algumas obras de Plauto e Menandro), o incêndio da Biblioteca de Alexandria constitui um dos mais dramáticos acontecimentos de toda a História da cultura.
Como escreve Carl Sagan (1980: 30) “Existem lacunas na História da Humanidade que nunca poderemos vir a preencher. Sabemos, por exemplo, que um sacerdote caldeu chamado Berossus terá escrito uma História do Mundo em três volumes, na qual descrevia os acontecimentos desde a Criação até ao Dilúvio.
 (período que ele calculava ser de 432 mil anos, cerca de cem vezes mais do que a cronologia do Antigo Testamento!). Que segredos poderíamos desvendar se pudéssemos ler aqueles rolos de papiro? Que mistérios sobre o passado da humanidade encerrariam os volumes desta biblioteca?”
Na verdade, segundo diversos historiadores muçulmanos e não muçulmanos, a história do envolvimento de Omar tem pouca credibilidade. A história teria sido inicialmente transmitida pelo muçulmano Abd al-Latif, historiador de Saladino. 
Saladino, um muçulmano sunita, na sua senda de expulsar os Cruzados e unir os muçulmanos, derrotou os Fatimidas (seita derivada do xiismo, considerados heréticos mesmo pelos xiitas muçulmanos) que reinavam no Egipto, após o que teria mandado destruir os livros heréticos que os Fatimidas tinham na Grande Biblioteca do Cairo. 
É neste contexto que Abd al-Latif conta a "história" de Omar e da Biblioteca de Alexandria. Mais tarde, em 1663, a história foi retomada por Edward Pococke na sua tradução de "História das Dinastias". 
Em 1713, esta mesma história foi considerado uma falsificação por Frei Eusèbe Renaudot, posteriormente suportado por Alfred J. Butler, Victor Chauvin, Paulo Casanova e Eugenio Griffini. Mais recentemente, em 1990, Bernard Lewis, conhecido crítico do Islão, também contestou a história do envolvimento do califa Omar.
Da mesma maneira, e de acordo com o classicista egípcio Mostafa el-Abbadi, Ibn al-Qifti (contemporâneo de Abd al-Latif) teria escrito em 1224 que o recheio da Biblioteca de Alexandria teria terminado nos fornos dos banhos públicos. 
Segundo el-Abbadi, a história teria sido inventado por al-Qifti para justificar a venda dos recheios das livrarias de Alexandria pelo seu amo Saladino que, assim, teria angariado financiamento para a sua luta contra as Cruzadas. 
Mas, perguntam muitos, se a Biblioteca já tinha sido queimada, logo no início da conquista do exército de Omar, como explicar a existência de tantos papiros para serem queimados em banhos públicos, e por mais durante três meses? Por outras palavras, se a história de Abd al-Latif não corresponde à verdade, também a de Ibn al-Qifti oferece pouca credibilidade.
 Acresce ainda que não existem comentários contemporâneos de tal bárbarie. Os escritos da literatura medieval do Islão, das igrejas Coptas e doutras orientações cristãs, assim como os dos Bizantinos e os Judeus, são omissos sobre uma tamanha destruição (informações gentilmente cedidas pelo Sr.Tayeb Habib)
Hoje, 1300 anos depois da sua destruição, a Biblioteca de Alexandria encontra-se em fase de renascimento.
Na verdade, o governo egípcio, em estreita colaboração com a UNESCO, decidiu construir uma nova biblioteca em Alexandria que se prevê que possa vir a constituir um importante foco de cultura, educação e ciência. Foi num memorável encontro realizado em Aswan, em 12 de Fevereiro de 1990, que foi assinada a Declaração de Aswan pelos membros da Comissão Honorária Internacional, incluindo Chefes de Estado e dignatários mundiais.
Digamos que a comunidade internacional, ao apoiar o projeto do renascimento da antiga Biblioteca de Alexandria, deu o primeiro passo no sentido de apagar o desastre causado pelo incêndio que queimou a velha biblioteca, há mais de 1300 anos.
O Projeto tem por objetivo construir uma biblioteca pública universal que patrocinará estudos intensivos sobre a herança histórica e cultural contemporânea da região.
A biblioteca deverá fornecer às comunidades nacionais e internacionais de professores e investigadores todos os conhecimentos relacionados com as civilizações egípcia, alexandrina, antigas e medievais. Possuirá importantes colecções de ciência moderna e recursos tecnológicos para ajudar os estudos de desenvolvimento sócio-económico e cultural no Egipto e na região.

Localização

A Biblioteca Alexandrina situar-se-á junto à Universidade de Alexandria, Faculdade de Artes, em Shatby, com vista para o Mar Mediterrâneo na maior parte do seu frontão norte. A biblioteca estará pois perto do antigo complexo biblioteca-museu no Bairro Real, no distrito então conhecido por Bruguian, onde recentemente se descobriram marcas da civilização Greco-Romana que estarão em exposição no museu da Biblioteca. Na vista panorâmica da Porta Oriental circular, encontra-se a serena e velha Citadela Mameluke de Qait Bey, erigida em 1480 no local do famoso Farol.

O projeto do novo edifício

O projeto consiste num simples círculo inclinado para o mar, parcialmente submerso numa piscina de água - a imagem do sol egípcio - que em termos contemporâneos iluminará a civilização humana. Desenhado como uma seta, uma passagem elevada liga a Universidade de Alexandria ao Corniche. O edifício está rodeado por uma muralha em granito de Aswan gravado com letras caligráficas e inscrições representativas de todas as civilizações do mundo.
Esta conceptualização pretende simbolizar a herança da região com o pretendido renascimento do brilho cultural de uma Biblioteca que pretende cheguar a todos os cantos do mundo.
Destruição da Grande Biblioteca de Alexandria

Projeto da nova Biblioteca de Alexandria
O complexo inclui ainda um Centro de Conferências (3200 lugares), um museu de ciência, um planetário, uma escola de estudos da informação, um instituto de caligrafia e um museu histórico.
O vencedor do primeiro prémio da competição internacional de arquitetura de 1989 foi o escritório arquitetural de Snohetta. O Consórcio Snohetta/Hamza foi contratado em Outubro de 1993 para o esboço, implementação e supervisão da construção do projeto.
Destruição da Grande Biblioteca de Alexandria

-*Projeto da nova Biblioteca de Alexandria
No âmbito do apelo dirigido pela UNESCO à comunidade internacional no sentido da sua participação ativa no projeto têm sido recebidas inúmeras contribuições em livros de indivíduos e governos de todo o mundo. Vários seminários e simpósios reunindo peritos e professores de todas as áreas, foram já organizadas com vista à recolha de contributos de toda a espécie para a futura Biblioteca Alexandrina.
Entretanto, por todo o mundo, têm sido constituídas associações de amizade com a Biblioteca Alexandrina: em Alexandria, Espanha, México, Reino Unido, Estados Unidos da América, Grécia e França, que pretendem apoiar o Projeto de diversas maneiras.
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